Socorro, as telas invadiram as salas de aula e o mundo!

Bons educadores estão sempre de olho no futuro. O presente já é o cartão de visitas.
O que será das novas gerações que gastam tempo e energia excessivos com os olhos pregados nas telas de computadores e celulares?
Penso que através da utilização desenfreada desses aparelhos chamativos, tudo se acelera: o mundo virtual não dorme. Está lá à nossa espreita.
Desta forma, podemos ter acesso a um fluxo contínuo de informações, sentimentos, sensações e emoções (que nos tornam dependentes) quando quisermos!
Utilizamos as telas na nossa vida profissional, nos estudos e pesquisa, na vida privada, para a comunicação, para ouvir música dentre tantas outras aplicações. Ouso dizer que até os gestos da vida cotidiana, como abrir uma porta ou acionar uma máquina de lavar, serão coordenados por um desses aparelhos no futuro. Se é que já não o são!
Sendo assim, nossos olhos, nossos dedos, nossos corpos são solicitados sempre de uma mesma maneira, empobrecendo terrivelmente nossa relação com outros objetos e com outras pessoas.
A onipresença das telas é um fenômeno social que remete muitas pessoas à uma vida oca, sem outros objetivos a não ser os ditados pelo mundo virtual.
Devemos nos revoltar contra o que nos apresenta essa ideia de vida virtual e tentar redescobrir como é ou pode ser uma vida boa, real, palpável, instigante e plena de significados?
Claro que concordamos que a vida não consiste apenas da acumulação de bens materiais ou da invenção de novas tecnologias ou do retângulo vítreo no qual miramos imagens e existências tentadoras.
Certamente uma vida boa nos remete também à convivência com outros, com vários instrumentos e objetos, com o meio ambiente, com nosso corpo e com nós mesmos.
O filósofo Jean-Jacques Rousseau, sabido como ele só, já nos havia prevenido no século anterior, do turbilhão social e de seus efeitos alienantes.
As telas podem nos emburrecer, principalmente porque nos afastam de outras dimensões da nossa humanidade. Sem que nos apercebamos nos incitam a aprender a possuir o mundo quando deveríamos aprender a amá-lo e respeitá-lo.
O pior de tudo, na nossa seara, sem dúvida é o embate que travamos todos os dias com os garotos, que ávidos por esse mundo avatar, não estão muito interessados nas nossas propostas de aprendizado. Coisas do momento !
Todos os dias é uma luta para que a meninada guarde o celular e preste atenção às aulas.
Esse é o presente. É o cotidiano. Aprendamos a contornar as dificuldades de ensinar e aprender para que possam nos chamar de mestres educadores!

Sonia Regina P. G. Pinheiro

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