Diga-me como falas e como escreves e eu dir-te-ei quem és!

Caros leitores, ando bestificada com coisas que ouço ou leio!
Pobre língua portuguesa e pobre de quem a apunhala um pouquinho todos os dias. Camões deve estar se revirando na tumba!
Sou de um tempo distante, no qual as palavras deviam ser escolhidas a dedo e quem delas fazia uso se distinguia ou se desgraçava, dependendo da escolha. Língua era uma coisa sagrada!
Hoje em dia me espanto com a facilidade com que as pessoas falam e escrevem palavras chulas, de baixíssimo calão, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Parece que se esqueceram dos adjetivos e usam palavrão para caracterizar positivo ou negativo. Não importa. Está na moda?
Na televisão, em canais abertos ou fechados, não tem horário para a baixaria ou para o impropério. É uma verdadeira farra!
Partes do corpo são chamadas pelos nomes! Não há como utilizar uma figura de palavra para tal. Fica melhor escancarar. É bonito?
Xingamentos ou praguejar, na língua da boca do lixo, parece que atualmente é muito mais aceitável. Tempos Modernos!
Com isso, penso que muitas pessoas estão enfraquecendo a sua fala e a sua escrita, pois como “o uso do cachimbo é o que faz a boca torta”, quando elas precisarem se expressar, fatalmente pulará da boca uma grosseria, mesmo mal colocada ou fora de hora. Cruzes!
Estou realmente velha para certas coisas e uma delas é para esse uso escatológico e estapafúrdio da língua mãe. Pobre “última flor do Lácio”!
Lembro-me que a Dona Carmem, professora de Ciências na escola onde fazia o ginásio, hoje ensino fundamental II, deu uma chamada lição de moral numa coitada que se chamava Helena, uma garota linda! Naquele tempo agro, as salas eram separadas: só feminino e só masculino.
A professora entrou em sala e foi logo disparando: Helena, você caiu de meu conceito. Vi você conversando com uns garotos e disse que tal programa de TV era gozado. Você sabe o que quer dizer gozado? Uma moça precisa escolher as palavras, principalmente quando conversa com rapazes. O que será que eles agora estarão pensando de você agora?
Ficamos observando nossa colega que, rubra como um morango, abaixou os olhos.
Acho que, nessas alturas D. Carmem já tenha partido para o além, para sorte dela!
Eu, por minha vez, fico matutando. Palavras! Palavras! São só palavras?
No entanto a meninada pena por aqui, pois gostamos do português bem falado e fazemos questão de deixar fora do recinto as frases quem não educam e nem edificam.

Sonia Regina P. G. Pinheiro

Adicionar comentário

Não há comentários