Inclusão, de fato ou exclusão real?

Atualmente as escolas estão enfrentando um dilema: como promover a inclusão de fato e de direito dos alunos com necessidades especiais?
Nas décadas que se sucederam à democratização do ensino, quando muito mais pessoas tiveram acesso à escola, não se via essa quantidade enorme de crianças e jovens necessitando de tratamento pedagógico diferenciado.
Tenho uma teoria sobre esse número atual em comparação ao do passado: antes, algumas famílias “escondiam” seus filhos em casa, outras achavam que, já que tinham problemas, não precisariam de escola. Escola seria para os que fossem “normais”.
Hoje, a inclusão é lei e negar a matrícula para um aluno que necessite de ensino inclusivo é crime! A coisa mudou de figura!
Tudo isso é realmente muito bonito no papel e na lei, no entanto, as escolas não estão preparadas para incluir de fato os garotos. Pena!
Em alguns colégios, os professores têm a sensação de que a inclusão é para inglês ver e que na verdade estão promovendo uma inclusão exclusiva!
Antes, lidávamos com alunos com dificuldade de aprendizado, apenas. Aquele tipo de aluno que você se pergunta todos os dias, porque não aprende? Aparentemente não tem nada. Era um enigma. Dava um nó no peito ver um garoto ficar retido 4 ou cinco anos numa mesma série. Alguns terminavam o 4º ano primário com barba e pelos nas pernas.
Hoje temos em nossas escolas alunos com problemas de visão, cegos, com problemas de audição, surdos, autistas, cadeirantes, com problemas cerebrais, com síndrome de Down e com alguns outros déficits também com os quais já nos debatíamos anteriormente.
Esses meninos precisam de cuidados especiais, de pessoas que cuidem deles individualmente, de planejamento específico, de atenção e de tudo o que possa fazer com que se integrem, aprendam e busquem (alguns) autonomia e inserção no mercado de trabalho.
As famílias desses alunos devem cuidar da parte que não podemos resolver na escola: médicos, remédios, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, psiquiatras, enfim, o acompanhamento necessário para dar suporte às atividades pedagógicas.
Estamos tateando no escuro em alguns casos, pois tudo é muito novo. Não nos falta boa vontade e esperanças em colaborar em nossa esfera de atuação, com tudo o que possa fazer desenvolver esses garotos, já que as autoridades (in)competentes assinam a lei e viram as costas. Como sempre!
Quem pensa em excluir um desses alunos, imagine que é seu filho ou seu neto. E ai?

Sonia Regina P. G. Pinheiro

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1 Comentário

  1. Joseli
    É,como tudo muda na Educação não é diferente. Em se tratando de alunos com deficiência realmente no passado poucos tiveram a oportunidade de frequentar a escola,ou a família escondia ou as escolas negavam a vaga. Realmente se tem muito a fazer em relação a inclusão de fato.O "tatiar" de hoje será lembrado no futuro como lembramos hoje de como já foi no passado. Em relação aos alunos com dificuldade de aprendizagem e os com alguma deficiência,vejo algo em comum,se faz necessário a mesma pergunta:por que ele não aprende? Quando se sabe o que dificulta a aprendizagem fica mais facil encontrar meios que facitem a aprendizagem. Conflito,resistência, adaptação,tudo isto é normal frente às mudanças. Mas,realmente a garantia de vaga não significa a inclusão. Os alunos sempre foram diferentes,más os com deficiência eram em número bem menor nas escolas. A inclusão escolar tem sido um progresso que tem gerado muita discussão,houve já quem foi contra ( exemplo os sindicatos das escolas particulares),más ainda tem muito a ser conquistado. O que num dado momento causa estranheza,preocupação,sentimento de recusa ou de incapacidade,também pode levar ao crescimento.Cresce a escola(profissionais envolvidos quando buscam capacitação ) e o aluno quando tem a oportunidade de não só frequentar o espaço físico da escola,más de efetivamente participar das atividades que levem à aprendizagem e mesmo com suas dificuldades alcançar o progresso,progresso este que é individual,levando em consideração cada indivíduo. O governo também precisa ser cobrado pelas Instituições de Ensino ( públicas e privadas), não somente pelos pais de alunos. Precisamos se fazer cumprir a Lei e que o Estado faça a sua parte,e,,tem muito a fazer. Tenho visto que dependendo da deficiência que tem o aluno,a inclusão deste tem sido ainda muito mais difícil nas escolas.Demanda profissionais capacitados e estes não são providenciados pelo Governo e nas escolas particulares demanda um custo. Este é um assunto que será ainda muito discutido e que deve ser discutido e não esquecido pelo Governo. A LBI ( Lei Brasileira de Inclusão) não pode ter o fim em si mesma.A Lei foi aprovada e precisa ter quem facilite a sua execução. O poder público não pode fechar os olhos para esta questão. Pais que tem filhos com alguma deficiência tem encontrado resistência,dificuldades em escolas públicas e privadas e é uma realidade nacional.