Tarefa do educador: dose para leão!

Nossos alunos nos mostram todos os dias que nossa prática precisa ser pensada e repensada.
Tem aquele aluno que não para quieto. Se mexe o tempo todo. Mexe nos seus materiais, se revira na carteira, dando a entender que para ele , estar na sala de aula é o martírio supremo da existência. Esse garoto, quase sempre surpreende e consegue obter resultados satisfatórios nas avaliações. Mistério!
Tem aquele outro aluno que fica quietinho. Não pergunta, não opina, não participa. Esse, também às vezes acaba atingindo resultados que fazem com que ele seja promovido para etapa futura. Mais mistério!
Tem aquele que perturba todo mundo. Vive de atirar o que tem à mão: pedacinhos de borracha, bolinha de papel, toquinho de lápis e o que acha no caminho. Seu alvo pode ser qualquer um que esteja na linha do tiro. Se diverte bastante. Esse ai, também muitas vezes consegue obter resultados favoráveis à sua promoção para a série seguinte.
Tem um que é estudioso. Sempre tem. Espécie rara. Contam-se nos dedos da mão. Esse é o fenômeno! Consegue boas notas e parece que já sabe tudo o que está sendo ensinado. Costumo dizer que esses alunos são a frustração de todo professor, pois temos plena consciência de que nasceram prontos e nada, ou muito pouco fizemos para que dominassem, com tanta facilidade os conteúdos escolares.
Tem uma turma que adora brincadeira de mau gosto: colocar apelidos, debochar, trocar material de mochila e fazer toda a espécie de atos não recomendáveis e muito menos desejáveis.
Tem também e cada vez mais, os meninos com muitas dificuldades. Problemas de aprendizado, de saúde, de comunicação, de sociabilização, de tudo o que existe que possa prejudicar o desenvolvimento e o aprendizado.
Em meio a essa fauna, está o educador que tem que dar nó em pingo d’água. Hoje em dia, parece que a didática deve muitas vezes dar lugar ao bom senso.
Há o que pode ser feito e há o que tem que passar para outras esferas. Há a angústia de muitos educadores que sonham com o ideal, mesmo sabendo que o real é o que temos e com o quê devemos lidar no dia a dia.
Gente, aqui não tem tédio, não. A cada dia um leão, um tigre, um leopardo e toda uma fila de feras para matar. Ao final, na hora de agradecer pelo dia de trabalho, não dá nem para contar em detalhes a jornada.
Alguém quer desistir? Duvido! Somos um bando de loucos que busca acima de tudo ensinar nossos meninos que se com estudo a vida não é fácil, que dirá sem!

Sonia Regina P. G. Pinheiro

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