Falar é prata. Calar é ouro

Fala Diretora

Tudo o que acontece na sociedade é realmente matéria para reflexão e também para que nós educadores estejamos alertas. Nossos meninos precisam ser educados para viver uma vida plena de significados, dentro do que pode ser melhor para toda nossa comunidade social.

Uma das minhas principais reflexões e preocupações atuais é a maneira como devemos nos portar nas mídias e na vida não virtual. É imperioso que nos resguardemos mais. Estamos ficando um livro aberto em páginas principais e deixando que o alheio escuso nos leia, nos julgue e nos puna.

Não devemos declarar nossas ideias e nossas preferências ao léu.

Se temos preconceitos (e todos nós temos de uma forma ou de outra) devemos escondê-los, camuflá-los. Não há como dizer ou escrever o que se pensa sem que uma guilhotina afiada faça justiça aos falsos moralistas juramentados.

Você torce por um time, se ele ganhar, comemore no seu quarto ou no banheiro com seu espelho. Se ele perder, chore nos mesmos locais. Não use a camisa, nem adesivo, nem nada. Finja que não liga muito. É melhor e faz bem à saúde física e mental.

Se você tem simpatia ou antipatia por determinado partido político ou por um político (difícil, mas possível), não declare nada, nem na mira de uma pistola de duelos! Se o fizer ficará fadado aos comentários de quem não pactua com suas opiniões e não te poupará assim que puder atirar em você as insatisfações e os fracassos imputados aos seus afetos.

Não fale nada a respeito de raça, religião, opção sexual, política, futebol ou outro tema que possa suscitar polêmica! Fique blassé! Faça cara de quem não tem opinião! É muito melhor.

Como isso pode ser trabalhado com nossos alunos? A princípio parece mais difícil do que um dos trabalhos de Hércules! A meninada sempre olha com desconfiança os conselhos dos mais velhos. Aliás eles adoram fazer o contrário do que pedimos. Faz parte do crescer.

Basta ver como se comportam nas redes sociais: escancaram tudo! Falam minuciosamente o que fazem, onde fazem com quem fazem… Dizem o que gostam o que odeiam e ilustram tudo com fotos e selfies.

Será uma batalha ferrenha ajudá-los a compreender que hoje, liberdade de expressão pode ser um alvo muito fácil para condenação e execução sem julgamentos.

Os educadores da velha guarda como eu, devem trabalhar com os garotos os valores de respeito como espinha dorsal da vida em sociedade. Vamos fazê-lo ao nosso modo.

Os educadores mais jovens terão mais facilidade para lidar com a questão.

O importante é olhar os novos tempos como ondas do mar, como ares em transição. Possamos quem saber pensar num futuro diferente quando a água abaixar.

 

Sonia Regina P. G. Pinheiro

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