Amor à Pátria se ensina na família e na escola

Fala Diretora

Setembro de meus primeiros tempos como professora era um mês que eu esperava com muita alegria e ansiedade. Meus alunos também.
Começava com a semana da Pátria e logo mais adiante a chegada da Primavera.
A semana da Pátria era recheada de atividades tais como aprender canções que versavam sobre as belezas naturais de nosso país, de nossos heróis, de nosso povo valoroso e acolhedor, entre outros temas nacionais.
Tínhamos também as poesias, os versinhos e jograis para memorizar e recitar na comemoração.
Os cadernos dos meninos eram riscados com verde e amarelo em todas as páginas da semana. Era um risco diagonal de canto a canto da página.
Tinha a fitinha verde e amarela pregada com alfinete de gancho que usávamos na camiseta.
Confeccionávamos a bandeira nacional com pedacinhos de papel crepom enroladinho.
Uma festa!
Tudo para ensinar os meninos o amor ao pais, o respeito aos seus símbolos, às suas maravilhas, enfim, éramos garotas-propaganda dessa terra querida.
Nossos alunos tinham que saber o Hino Nacional de cor e bem entoado. Sabiam também a postura que tinham de demonstrar durante a execução do mesmo.
Não se aplaude o Hino Nacional, ensinávamos.
Foi-se embora esse tempo.
É triste, porque nossa meninada é tão pura e receptiva e ensiná-los a amar o país é muito fácil e agradável. Recebem bem. Aliás, ensinar a turminha a amar e respeitar não somente o país, mas em outros sentidos e contextos, é uma tarefa leve. Os pequenos são como o antigo mata-borrão, que aprendem bem tudo o que é ensinado com desvelo.
Ando muito entristecida com o desamor dos meninos crescidos de hoje, que ao que parece não foram ensinados corretamente a amar o seu pedacinho de chão.
Muitos estão praticamente de malas prontas para alçar voos e aterrissar em outras terras, as quais julgam mais atraentes e promissoras; vão atrás do Eldorado. Querem fazer a América em outras paragens. Creem que tudo lá fora é melhor, mais refinado, bem-conceituado, enfim, paraísos terrestres ao alcance das mãos dos aventureiros.
Com isso fazem as malas e batem asas. Alguns voltam com o rabinho entre as pernas, como o cachorrinho que fugiu de casa.
Outros ficam por lá. Alguns trocando seis por meia dúzia, contando as moedas até chegar ao fim do mês.
Há também aqueles que arregaçaram as mangas e com coragem fizeram valer bem a oportunidade de tentar a vida num outro país. São poucos!
Sair em debandada ao invés de se juntar a quem quer que nosso rincão prospere, para mim é pura tristeza.
Pátria minha, sempre tão gentil, que eu amo de montão, perdoai-lhes! Eles não sabem o que fazem!

Sonia Regina P. G. Pinheiro

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