Calar é ouro, falar é prata. Atual e verdadeiro!

Fala Diretora

Sou do tempo em que as crianças não tinham voz. Vou mais além, não podiam participar das conversas dos adultos, mesmo caladas. Se era certo ou errado, elas não tinham em sua maioria a dimensão dos problemas do mundo das pessoas mais velhas e talvez com isso, vivessem a infância e parte da pré-adolescência de forma mais tranquila.
Quando a escola básica conheceu as ideias construtivistas, alguns iluminados decidiram por conta própria que a oralidade era mais importante nos primeiros anos de escolaridade do que a escrita.
Cheguei a receber um pai, o senhor Silvio, que Deus o tenha, que me procurou para mostrar o caderno do seu filho com meia página escrita em pleno mês de maio.
Perguntou minha opinião, pois ao conversar com a professora do filho, aquela lhe disse que estava a princípio trabalhando primordialmente com a oralidade. Ele estava possesso!
Hoje não se concebe uma escola na qual os alunos não tenham lugar de fala. Cumpre, no entanto, que saibamos ensinar nossos alunos a manifestar-se de forma clara, expansiva e respeitosa.
Exemplos aos montões de que muitas pessoas caladas seriam poetas renomados estão por ai.
Não é tudo o que passa por nossa mente que deve estar saindo aos borbotões de nossa boca.
Imaginem se déssemos vazão aos nossos pensamentos de forma livre! Calculem se pudéssemos falar abertamente de nossos sonhos, de nossos anseios, daquilo que brota do nosso coração?
Felizmente ou infelizmente a sociedade em que vivemos nos estimula a peneirar nossas palavras para que possamos viver em paz e sem causar conflitos para nós ou para outrem.
Nossos educandos estão sendo bombardeados pela mídia com péssimos exemplos de pessoas que falam sem antes refletir. Esses muitas vezes, depois, saem em defesa de si próprios, dizendo que não era bem aquilo que quiseram dizer.
As palavras punem quem as usa de forma irresponsável. Uma vez ditas, criam vida própria e se transformam para o bem ou para o mal.
Daí a importância da escola na formação do aluno. Daí a responsabilidade dos educadores e dos pais na condução das atitudes das crianças quando percebem que não estão agindo bem.
Ouvindo algumas pérolas, já faz algum tempo, creio que há pessoas que não devem ter passado corretamente pelos bancos escolares ou que tiveram pais lenientes.
Para aqueles, não há salvação, mas para nossos alunos, quem sabe?

Sonia Regina P. G. Pinheiro

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