O que é ser normal? Sou normal?

Fala Diretora

Foi só depois de adulta que eu entendi a relatividade da vida. Tudo é em relação à alguma coisa. Estranho, mais verdadeiro! Ou seja, existe o magro porque tem o gordo. Existe o leve porque tem o pesado. Mesmo o magro pode ser gordo dependendo da comparação. O pesado pode ser leve também. Parece complicado, mas não é.
O que diríamos então do conceito de normal. O que é normal? O que é anormal? Normal é sempre em relação à uma situação. Normal para uns pode ser anormal para outros.
Esse conceito é muito fluido e em nosso tempo tem se mostrado mais estranho ainda.
Penso que a maioria dos seres humanos almejam serem considerados normais. No então, como já mencionei, isso depende da referência.
Quero ser magra como as apresentadoras dos jornais da TV Globo! Impossível. Só nascendo de novo! Como se equilibram apenas em pele e osso!?
Creio que essa ideia de normal é a fada madrasta do bullying que os garotos sofrem pela vida inteira, começando muitas vezes na família, passando fortemente pela escola e depois na sociedade.
O camarada que não tira boas notas, que não “saca” logo as coisas e que não é antenado fica carregando nos ombros o fardo da falta da inteligência que sobra em tantos abençoados.
Com essa e sem mais aquelas, nossos meninos muitas vezes consideram que não são capazes de aprender certo conteúdo. Sentem-se menores, ínfimos, à esquerda do aprendizado desejável. Preocupação de bons educadores.
Duro dizer que pode começar na família. Tenho exemplo de mãos cheias. Só para citar um indescritível, lembro da Cremilda que dizia para mim que sua filha do meio era abestada, pois não conseguia articular direito algumas palavras e era “lerda”. Com uma mamãe dessas, a pobre da Vivinha sonhava com uma madrasta! Cresceu lerda e abestada! Coitada!
Na escola a criançada é muito cruel com os colegas que não são “normais”. Dessa forma, tarefa árdua é a de corrigi-los incessantemente e buscar ações para que reflitam e colaborem positivamente para que o ambiente escolar seja mais aprazível.
Todas as escolas que conheço atualmente fazem planejamento para a inclusão de alunos com algumas dificuldades. Incluir quem não anda como os demais, não vê como os demais, não ouve como os demais, não aprende como os demais é obrigação de quem ama pessoas e é de educadores que estamos falando. Daqueles que amam pessoas e querem que elas se desenvolvam o melhor que puderem para contribuir com a sociedade em que vivemos.

Sonia Regina P. G. Pinheiro

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