Sala de aula aberta! Bom para quem?

Fala Diretora

Faz muito tempo que considero a escola um lugar especial e diferenciado. Nela travamos batalhas cujas vitórias nos projetam para alcançar sonhos, crescer e fazer amigos. Não é pouca coisa!
A escola sempre foi para mim referência de vida. Deixei para trás a pobreza intelectual de meus avós, todos analfabetos, para conhecer o mundo pela leitura e escrita.
Por extensão, considero a sala de aula um local privilegiado de trocas entre professor e alunos e de alunos entre alunos.
Penso que para que essas trocas aconteçam da melhor forma, a sala de aula deve ser um espaço fechado, onde os ocupantes têm liberdade para serem atores de conhecimento real.
Com os novos e tenebrosos tempos de pandemia, a sala de aula se abriu para todos e o que era entre quatro paredes, ganhou o mundo!
Essa abertura inusitada deu lugar para situações inesperadas, porque com a projeção da aula para dentro dos lares pelas telas, o que era normal e corriqueiro por vezes deu lugar ao estranhamento.
Alguns exemplos como o que aconteceu na casa da dona Luzia, ilustram o que venho falando:
Enquanto o Júnior tem aula, ela fica da cozinha escutando a professora. Em determinado momento, ouve a docente reclamar que seu filho não está prestando atenção. Ela fica furiosa.
O seu Adolfo, ouvindo atentamente as explicações da professora de sua filha, acha que o que foi dito não está claro o bastante. Questiona a professora.
A dona Francisca interrompe a aula da professora de história para pedir explicações sobre o posicionamento dela em relação à determinado assunto.
A diretoria e a coordenação das escolas estão a mil com agendamento para atender as reclamações dos familiares.
Nunca a sala de aula foi um local tão visitado e questionado! Como será quando terminarem as aulas virtuais? Será que as famílias sentirão saudades desses tempos generosos que escancaram as práticas educacionais?
Quem tem medo da interferência externa no trabalho docente? Todo mundo, claro, e mais a torcida do Flamengo!
Foi-se o tempo em que um professor com sua vaidade pedagógica em alta dizia em alto e bom som: dentro da sala de aula mando eu!
Bom ou ruim, novos ventos, novos tempos! Suspiro de saudades que eu nem sei do quê!

Sonia Regina P. G. Pinheiro

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