Um tapinha não dói! Em quem?

Estamos vivendo tempos estranhos!
Se educar era difícil em eras passadas, agora é uma tarefa hercúlea!
Fui educada aos trancos e barrancos, aliás muitos trancos! Mamãe não poupava o chinelo. Era seu companheiro pedagógico no dia a dia.
As chineladas, colocadas no lugar estratégico de muita carne e pouco osso, doíam muito. Doíam no corpo e na alma, pois sendo muito levada, às vezes apanhava também sem culpa, só na intenção.
Não acho que devamos bater em nossos filhos. Aliás, não consigo ver uma criança apanhando. Algo dentro de mim se revolta e minha vontade é de voar para cima do agressor. Bobagem!
Diria minha avó, pata de galinha não mata pinto. Será?
No entanto, hoje os tempos são outros e apesar de ter sido sucesso uma música que repetia que “um tapinha não dói”, se pai ou mãe baterem em seus filhos poderão ser processados e até presos. Lei. Tempos modernos!
As coisas atualmente caminham para onde não imaginamos! Vejam essa história:
Rubens, um amigo, me contou que levava seu filho para um passeio no shopping e subindo a escada rolante, o garoto espoleta, batia na mão das pessoas que vinham em sentido contrário.
Ele chamou a atenção do menino por duas ou três vezes, mas por fim decidiu ameaçar. Prometeu dar-lhe um tabefe se repetisse o gesto.
Não é que a criança, desafiando o pai não só repetiu uma, mas duas, três vezes, batendo nas mãos das pessoas que desciam a escada ao lado.
Rubens esperou pacientemente chegar ao final da escada em local seguro.
Sem mais, deu um tapa com a mão cheia no assento anatômico do garoto.
Para quê! Pessoas que vinha atrás começaram a discutir com ele, dizendo que iriam chamar a polícia, pois ele tinha agredido o filho. A coisa não ficou só por ai, porque outros populares vieram em defesa do pai, dizendo que ele tinha todo o direito de educar o filho como quisesse.
Gente, por pouco não houve uma pancadaria generalizada! Rubens ficou no meio, como um pateta, sem dizer nada. Olhava, entre assustado e surpreso, a confusão instalada!
Os seguranças do shopping surgiram rapidamente e pediram que todos circulassem e acabassem com o bate-boca. Que mundo estranho! Polêmica em cada esquina!
O Flavinho dava risada. Estava se sentido um rei!
Rubens olhou nos olhos dele bem fundo e disse baixinho que dali para frente, as traquinagens teriam correção entre quatro paredes. Ele que se cuidasse! Vivendo, vendo e refletindo!

Sonia Regina P. G. Pinheiro

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